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A santa e o samba: 300 anos em 65 minutos

O Carnaval 2017 de São Paulo foi marcado por fortes emoções. Diversos desfiles emocionaram os espectadores e telespectadores que acompanharam as belas histórias contadas na avenida. Uma delas chamou atenção do público bem antes de entrar em cena, quase dois anos antes de ser concretizada. Falamos do desfile da escola de samba Unidos de Vila Maria, que trouxe para o sambódromo do Anhembi uma verdadeira ‘romaria’ que cantou um jubileu para a santa mais cultuada do país, Nossa Senhora Aparecida.

Parte da logomarca que estampa o enredo 2017 da Vila Maria (Divulgação)

Venerada pela igreja católica e conhecida como a padroeira do Brasil, Nossa Senhora da Conceição Aparecida ganhou uma homenagem que narrou os 300 anos de sua aparição no Rio Paraíba do Sul, em 1717. A celebração destes três séculos de veneração se concretiza exatamente hoje, dia 12 de outubro, um feriado nacional no Brasil desde 1980, quando o Papa João Paulo II consagrou a Basílica, em Aparecida, que é o maior santuário mariano do mundo, a 180 km de São Paulo (SP).

De acordo com a Veja São Paulo, para concretizar o sonho de ter a história na passarela, a direção da entidade teve que pedir autorização para a Igreja Católica. Então, diretores da Vila Maria realizaram, em 2014, uma audiência com arcebispo de São Paulo, o cardeal Dom Odilio Scherer. Após a aprovação, concedida no ano seguinte, foram necessários 6 meses de reuniões para a agremiação convencer a Cúria Metropolitana de que não haveria nada impróprio no desfile.

Com a licença, a Unidos de Vila Maria foi até a Arquidiocese de São Paulo e recebeu da instituição uma carta com um termo de ciência e acompanhamento com as assinaturas dos padres Zacarias Paiva e Tarcisio Mesquita, e do padre João Batista de Almeida, reitor do Santuário Nacional de Aparecida. A escola teve que atender a uma série de exigências da Cúria – que incluiu ausência nudez e de sincretismo religioso.

Presidente da escola com imagem da santa (Foto: Felipe Cruz / Amantes do Carnaval de São Paulo)

Para fazer bonito no grande dia, foram mais de 70 ensaios gerais na quadra e três ensaios técnicos no sambódromo, tudo para fazer um desfile respeitoso, bonito e grandioso. A entidade se apresentou com 3.800 foliões distribuídos em 23 alas e 6 alegorias. Essa foi primeira vez na história do carnaval brasileiro que Nossa Senhora Aparecida foi vista no desfile de uma escola de samba.

Resistência

Poucos dias antes do desfile oficial, a agremiação da zona norte foi alvo de católicos que protestaram contra a realização do espetáculo. Inclusive, um grupo de pessoas realizou uma espécie de manifestação na frente da Catedral da Sé, no qual consideravam o enredo uma desonra à Padroeira. Um abaixo-assinado também circulou pela internet e conseguiu cerca de 2 mil assinaturas online para a causa.  O Amantes do Carnaval de São Paulo acompanhou o processo de produção do projeto e também recebeu críticas de internautas. Relembre:

O desfile, a lembrança de quem conviveu e o resultado

O tema “Aparecida – A Rainha do Brasil. 300 anos de amor e fé no coração do povo brasileiro” foi apresentado na noite do dia 24 de fevereiro, pelo Grupo Especial, e levou assinatura de um dos carnavalescos mais consagrados da folia paulistana, Sidnei França. O artista conversou com nossa equipe nessa data espacial e relembrou o trabalho realizado junto à Vila.

“Nesse 12 de Outubro, dia de Nossa Senhora Aparecida, sinto uma emoção especial ao relembrar de um dos trabalhos mais especiais da minha trajetória até aqui… Um verdadeiro presente em forma de desfile de escola de samba… Um momento ímpar na caminhada desse jovem carnavalesco que reconhece nessa oportunidade a chance de celebrar na passarela do samba os 300 anos de um dos maiores fenômenos da fé mundial… Foram 65 minutos por 300 anos de amor no ritmo do samba…e eu me orgulho de ter feito parte dessa prece de amor na “cadência” do samba!”.

Carnavalesco Sidnei França (Foto: Felipe Cruz / Amantes do Carnaval de São Paulo)

O presidente da casa, Adilson José de Souza, nos conta que foi motivo de orgulho poder participar deste momento tão importante. “Agradecemos a Deus pela permissão e pela oportunidade deste momento único. Obrigado Vila, obrigado Maria”.

Tarciso Marques Mesquita, coordenador da pastoral da Arquidiocese de São Paulo, também manifestou suas impressões a respeito do cortejo realizado pelos integrantes da Vila Maria. Em conversa com nossa equipe, Odilio disse que a experiência de acompanhar os preparativos foi algo ‘estupendo’. Ele ficou impressionado porque havia um clima de fraternidade, comunidade e coesão. Ouça o depoimento completo do clérigo:


Mesmo com toda grandiosidade e muito luxo, a Unidos de Vila Maria enfrentou alguns problemas em sua apresentação e ficou com a sétima classificação no ranking geral junto às outras 13 coirmãs. Independente deste resultado, um fato curioso foi a aproximação da igreja com o carnaval. De acordo com o padre Reginaldo Manzotti, que esteve em um dos ensaios técnicos, o desfile contribuiu na evangelização dos fieis e daqueles que ainda não conhecem a história da santa.

Detalhe do carro abre-alas da Vila Maria (Foto: Felipe Cruz / Amantes do Carnaval de São Paulo)
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